Comprar novo computador ou atualizar ?


Como saber se chegou a hora de um upgrade em meu computador (adicionar itens que aumentam a capacidade ou adicionam funcionalidades à máquina) ou de adquirir um novo? Como proceder para a escolha das peças?
Quando seu computador começa a ficar lento, demora a responder ou passa a exibir mensagens de erro constantemente, a causa pode ser um problema no sistema operacional ou em algum item de hardware. Neste caso, talvez um procedimento de reparo seja suficiente. No entanto, se depois de instalar jogos ou qualquer aplicativo novo a máquina mostrar sinais de lentidão ou de travamentos, tudo indica que o equipamento já não está dando conta dos softwares atuais. Em geral, quanto mais recente é um programa, mais capacidade de hardware ele exige.
Nos casos de rápidos travamentos ou de ligeira lentidão, um upgrade pode ser a solução mais interessante. Geralmente, as ações mais eficientes consistem no aumento da capacidade da memória RAM, na troca da placa de vídeo ou na aquisição de um processador mais poderoso.
Como exemplo, o jogo Need for Speed World, da Electronic Arts, roda em um computador com processador Intel Core 2 Duo de 2,1 GHz, 2 GB de memória RAM e placa de vídeo NVIDIA 7600 GS com memória de 256 MB. No entanto, seu desempenho seria muito melhor se a máquina tivesse, pelo menos, uma placa de vídeo NVIDIA 9600 GT com 512 MB de memória. Neste caso, o upgrade, isto é, a troca do componente por um modelo mais poderoso, seria uma solução rápida e que descartaria a necessidade de mudar de computador.
Need for Speed World

Need for Speed World

Por outro lado, com computadores mais velhos, a troca por uma máquina nova é mais viável, já que as tecnologias atuais muitas vezes não são compatíveis com PCs antigos. Como exemplo, não é possível trocar um processador Intel Pentium III 800 MHz por um Intel Core 2 Duo E6700, já que ambos os modelos usam recursos diferentes e não são compatíveis. Neste caso, você terá que trocar a placa-mãe e, se o computador antigo estiver no padrão AT, será necessário comprar também um gabinete no padrão ATX. Além disso, de nada adianta ter um Core 2 Duo se a máquina possui pouca memória, razão pela qual você terá que adquirir uma boa quantidade de memória RAM, de tecnologia atual. Logo, é bem mais viável adquirir um computador novo.

Quais componentes escolher?

O bom desempenho de um computador depende da combinação dos componentes que o compõem. De nada adianta ter um processador poderoso se o PC tem pouca memória RAM. O fato de 256 MB de RAM ter sido suficiente há alguns anos não significa que será suficiente hoje. Da mesma forma, não é conveniente colocar um HD cujos discos rodam a 5.400 RPM (rotações por minuto) em um computador atual, já que o processador não conseguirá usar toda a sua capacidade do processamento porque o acesso aos dados do HD é lento.
Assim sendo, a seguir são dadas orientações referentes aos itens mais importantes: processador, placa-mãe, memória RAM, HD, drives de CD/DVD e disquete, placa de vídeo, monitores e adicionais.

Processador

Este, sendo o "cérebro" da máquina, é um dos itens que mais influenciam no desempenho. A escolha de um processador deve ser feita observando suas necessidades de uso do computador. Para aplicações básicas, como execução de vídeo e áudio, acesso à internet, jogos leves e programas de escritório, não é necessário adquirir processadores topo de linha. Para estes casos, processadores secundários de baixo custo (e de menor desempenho, consequentemente) são suficientes.
No entanto, se você quer um computador para rodar jogos pesados (que possuem gráficos em 3D) ou para executar aplicações exigentes, como softwares para CAD/CAM (produção gráfica), é bom cogitar a aquisição de processadores mais poderosos, como as linhas Core 2 Duo, Core i3, Core i5 ou Core i7 da Intel, ou Phenom II, Phenom X3 ou Phenom X4 da AMD. Esses processadores são muito rápidos e, naturalmente, mais caros que os de baixo custo. Mesmo assim, independente do modelo de interesse, é recomendável se informar sobre suas características para fazer uma boa escolha.
Um detalhe importante: os processadores precisam de coolers (uma espécie de ventilador) para manter a temperatura em uma taxa aceitável para seu funcionamento. Por isso, certifique-se de que o processador de sua máquina está acompanhado de um cooler apropriado (ou de outro dispositivo de controle de temperatura).

Placa-Mãe (motherboard)

placa-mãe é um item de extrema importância, afinal, é a peça que interliga todos os outros dispositivos do computador. A primeira coisa a se observar na escolha de uma é o socket, isto é, o tipo de conector do processador. Os processadores, mesmo aqueles que pertencem à mesma família (por exemplo, a linha Pentium, da Intel), podem ter a quantidade e a disposição de pinos (aquelas "perninhas" que saem do processador) diferentes, de forma que é necessário um tipo de conector (socket) adequado a essa combinação. Assim, se um processador utiliza o conector conhecido como "Socket AM2", por exemplo, a placa-mãe deverá ter esse encaixe para ser compatível. Daí a importância de sempre verificar este aspecto. Uma forma rápida de se fazer isso é consultando a lista de processadores compatíveis com a placa-mãe.
O passo seguinte é checar os recursos que a placa-mãe oferece, como quantidade de portas USB, quantidade de slots para memória RAM, quantidade de slots PCI Express, itens integrados (onboard), como rede e áudio, e assim por diante. Em geral, placas-mãe mais econômicas oferecem recursos gráficos onboard, ou seja, integrados ao dispositivo, dispensando o usuário da necessidade de instalar uma placa de vídeo. Note, no entanto, que esta característica pode comprometer o desempenho da máquina, por isso, placas desse tipo são indicadas apenas para computadores destinados a atividades básicas.

Memória RAM

A principal questão em relação à memória RAM é a sua quantidade. Para rodar sistemas operacionais como o Windows 7 e as últimas versões do Linux com o mínimo de eficiência, é necessário fazer uso de pelo menos 1 GB de RAM. No entanto, para rodar jogos e aplicações mais exigente, o ideal é contar com 4 GB. Se você tiver um processador rápido, quanto mais memória, melhor.
Quanto ao tipo de memória, prefira sempre os padrões mais comuns. Evite o uso de tecnologias de memória difíceis de encontrar porque, nestes casos, o valor da memória e da placa-mãe aumentam consideravelmente. No momento em que este artigo era atualizado, o tipo mais comum eram as memórias DDR3, ainda sendo possível encontrar memórias DDR2.

Memória DDR2

Disco Rígido (HD)

Antigamente, o mercado contava com HDs de capacidade bastante reduzida para os padrões de hoje, como modelos com 1 ou 2 GB. Hoje, é comum encontrar discos rígidos com capacidade de 1 TB ou mais. Para uso doméstico ou em escritório, há períodos em que uma determinada capacidade está "na moda", ou seja, é padrão de mercado. A vantagem disso é o custo reduzido. No momento em que este artigo era atualizado, a capacidade padrão era de 500 GB, não sendo raro encontrar modelos com 1 TB.
Na escolha de um HD, deve-se considerar não só a capacidade, mas também a velocidade de rotação dos discos, que é medida em RPM (rotações por minuto), e isso está ligado à interface de comunicação do dispositivo. Discos rígidos no padrão PATA (Parallel Advanced Technology Attachment) - também conhecidos como IDE - trabalham com rotações de 5.400 RPM e 7.200 RPM (recomendável). Os discos no padrão SATA (Serial Advanced Technology Attachment) também trabalham com essas rotações (5.400 RPM é muito utilizado em notebooks, para economia de energia), mas essa taxa pode ser maior em alguns modelos. Os HDs com interface SCSI (Small Computer System Interface) - uma tecnologia de acesso mais rápida, porém cara - normalmente estão disponíveis nas velocidades de 10.000 RPM e 15.000 RPM. Quanto maior a taxa de rotação dos discos rígidos, mais rapidamente o processador conseguirá lidar com os dados armazenados neles.
É importante verificar qual interface (IDE, SCCI ou SATA) sua placa-mãe suporta antes de comprar um HD.
Foto de um HD IDE

HD IDE

Drive de CD/DVD ou Blu-ray

Este é um item que não é fundamental ao funcionamento do computador, mas é difícil imaginar um PC sem esse dispositivo, por questões de praticidade: fica mais fácil instalar o sistema operacional e você pode contar com a possibilidade de assistir a um filme em DVD, por exemplo. A seguir, uma relação dos tipos de drives de CD/DVD mais comuns, para efeitos comparativos:
CD-ROM - serve apenas para ler CDs;

CD-RW (gravador) - serve para ler e gravar CDs e CD-RW;
CD-RW + DVD-R (combo) - serve como leitor de CD-ROM e de DVD, além de gravador de CDs; 
DVD-RW (gravador) - esse drive é um dos mais completos, pois lê e gravas CDs, assim como lê e grava DVDs.

Hoje, é recomendável ter um dispositivo que leia e grave tanto CDs quanto DVDs, pois o custo desses aparelhos está bastante acessível. Se você preferir, pode também investir em unidades Blu-Ray, mas esta tecnologia, por não ser tão popular (pelo menos até o momento), pode não apresentar muitas vantagens.

Drive de disquete

Os disquetes foram populares por vários anos, mas não vale mais a pena utilizar esta tecnologia. Para começar, um disquete armazena uma quantidade muito pequena de dados (1,44 MB). Além disso, são extremamente frágeis e de leitura lenta. O mesmo vale para os Zip Drives que, embora mais sofisticados que os tradicionais disquetes, fizeram pouco sucesso. Talvez você queira ter um dispositivo destes em seu PC apenas por comodidade (ou nostalgia), mas eles realmente não são importantes.

Monitores de vídeo

Anos atrás, o tipo mais comum de monitor era o pesado e espaçoso CRT (Cathode Ray Tube). Hoje, a tecnologia LCD (Liquid Crystal Display) e semelhantes são praticamente unanimidade, afinal, monitores do tipo são mais leves, ocupam menos espaço físico e oferecem, em boa parte dos casos, excelente qualidade de imagem.
Como a tecnologia LCD é bastante popular, seus preços também costumam ser vantajosos. Assim, hoje é possível pagar por modelos maiores o que se pagava por monitores de 15 ou 17 polegadas cerca de dois anos atrás. Por isso, é recomendável ter um monitor que ofereça, no mínimo, 19 polegadas e que sejawidescreen, isto é, mai largo.
Na escolha de um monitor LCD, também é importante verificar quais conexões de vídeo o equipamento oferece. O ideal é contar com VGA e DVI, pelo menos. Para os padrões atuais, entrada HDMI também é um diferencial.

Placa de Vídeo

placa de vídeo é o item responsável por gerar as imagens que aparecem em seu monitor. O problema é que existem tantos modelos disponíveis que acaba sendo difícil escolher um.
A placa de vídeo precisa de memória RAM própria, principalmente quando trabalha com imagens em 3D. Quanto mais memória, melhor, no entanto, nem sempre vale a pena pagar pelos modelos que oferecem esse item em grande quantidade. Estes são bem mais caros (já que placas de vídeo com grande capacidade de memória geralmente contam com chips gráficos de última geração), chegando a ter o mesmo preço de um computador de baixo custo e, por essa razão, são indicados para usuários que desejam rodar jogos muito pesados.
As placas de vídeo atuais trabalham com o slot PCI-Express, mas ainda é possível encontrar modelos que utilizam a tecnologia AGP (cada vez mais em desuso). Verifique com qual tecnologia sua placa-mãe trabalha antes de escolher uma placa de vídeo. Em seguida, verifique o chip gráfico utilizado pela placa e pesquise pelo modelo em sites de busca para encontrar referências que indicam quais as suas vantagens e desvantagens. Os chips gráficos mais procurados do mercado são fabricados pela NVIDIA e pela ATI/AMD (atualmente, só AMD). Avalie o que você precisa em seu PC para escolher o modelo que mais se encaixa em suas necessidades, isto é, se uma placa de vídeo topo de linha ou um modelo intermediário.
Outra característica importante a se observar é o conector de vídeo. Hoje, prefira placas de vídeo com conectores DVI, pois essa tecnologia oferece melhor qualidade de vídeo. Assim como nos monitores LCD,HDMI também é um diferencial.
Placa de vídeo com dois conectores DVI

Placa de vídeo com dois conectores DVI


Computador de marca ou montado?

É comum encontrar no mercado computadores fabricados por empresas conceituadas, como HP, Lenovo, Semp Toshiba e Dell. Muitos se perguntam se vale a pena adquirir computadores destas marcas ou se é melhor comprar máquinas montadas em lojas ou ainda por técnicos que oferecem este serviço.
Os desktops de marcas conceituadas são projetados por engenheiros especializados, que combinam as peças do computador de forma que este obtenha o máximo de desempenho aliado a um custo aceitável. Assim, geralmente não é preciso se preocupar com aquecimento do processador, por exemplo, já que o interior do computador é devidamente ventilado. Por causa destas características, estas máquinas tendem a ter menos problemas do que os computadores montados indiscriminadamente em lojas. Ainda há o fato de o suporte destas empresas, em geral, ser eficiente. Por outro lado, o usuário nem sempre pode definir uma configuração desejável e acaba tendo que aceitar uma combinação pré-determinado pelo fabricante. Além disso, muitos destes computadores são obrigatoriamente acompanhados do Windows. Acontece que há usuários que preferem comprar um PC sem sistema operacional para instalar Linux ou outra plataforma.
Outro fator a se considerar é o preço. O custo dos computadores de marca antigamente era muito mais elevado do que os desktops montados em loja, mas incentivos fiscais no Brasil e melhor entendimento do mercado local por parte dos fabricantes fizeram com que o preço destes equipamentos caísse muito. Assim, talvez valha a pena comprar um PC "de marca" se você quiser aproveitar essas vantagens.
Há alguns anos, os computadores "de marca" eram mal vistos porque só aceitavam componentes de determinados fabricantes, o que dificultava um upgrade ou um reparo. Hoje, isso raramente acontece. Por este motivo, para o usuário doméstico, computadores de marca podem ser realmente interessantes. Mas se você é do tipo que prefere personalizar o seu computador em todos os detalhes e quer gastar considerando ao máximo a relação custo-benefício, os computadores de lojas podem ser a melhor opção, pois muitas permitem que você escolha as peças desejadas, não obrigam a compra de um determinado sistema operacional e geralmente possuem preços negociáveis. Porém, deve-se considerar que o risco de haver problemas oriundos de falta de especialização técnica é um pouco maior, assim como é necessário conhecer bem os dispositivos que serão adicionados ao computador para não comprar "gato por lebre". Para evitar problemas, procure por lojas ou técnicos confiáveis.

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Finalizando

A compra de um computador requer atenção a vários aspectos para aumentar as chances de um bom negócio. Este artigo deu algumas orientações sobre a escolha dos itens mais importantes. Mesmo assim, se você se sentir inseguro para fazer uma escolha, peça para alguém com experiência no assunto te ajudar. Com isso, você conseguirá comprar um computador que sirva às suas necessidades e diminuirá as chances de ficar decepcionado.

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